Não gosto muito dos telejornais brasileiros pois acho que são veículos destinados a desinformação da população. Não tenho mais acesso a TV paga e agora descobri que a internet também não ajuda muito na informação. A não ser que “cavoquemos” muito o lixão até encontrar algo útil.

Tentando acompanhar mais uma rodada de negociações da agenda Doha (mais conhecida como Rodada Doha, pois nesta cidade começaram as rodadas de negociações), encontrei uma série de matérias, em diversos sites, criticando a frase do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em que ele compara a postura dos países ricos em relação a globalização e o marketing nazista

“Essa é uma frase sob medida para aqueles que não querem fazer sua parte em agricultura”….”Isso me recorda Goebbels”

Aí reproduziram só o final da frase…pronto! Muitas otoridades ficaram ofendidas, desqualificaram o Ministro, alguns tentaram colocar panos quentes. Mas o estrago já estava feito, tal a quantidade e direcionamento das matérias nos sites, sempre desqualificando a frase do ministro brasileiro e dando mais espaço ao comentário dos ofendidos.

(Quando o presidente americano chamou a tríade Irã, Iraque e Coréia do Norte de “Eixo do Mal”, lembrando a 2º Guerra Mundial, não deram espaço aos ofendidos pela frase. Mas devem existir muitas pessoas que não concordam com esta frase)

Na verdade, o problema da Rodada Doha é muito mais complexo do que a frase de Celso Amorim, a dor dos ofendidos ou algo que a nossa vã imaginação tenta alcançar.

Os EUA e a UE possuem sistemas de subsídios agrícolas que beiram os US$ 100 bilhões de dólares por ano. Subsídios estes que eles estão esperneando muito para cortar, pois garantem a manutenção de uma classe agrícola produtiva e rica. Mas sem subsídios não se sabe qual será o futuro destes. Ao mesmo tempo eles querem que todos os países do mundo abram os contratos públicos para concorrência internacional, além da liberalização do comércio de produtos industrializados. Brasil e muitos outros países têm em seus contratos públicos uma forma de garantir espaço para empresas nacionais na economia. O nó é grande e enquanto alguns tentam desatar muitos continuam a apertá-lo.

Hoje, na lista de produtos agrícolas, a UE tem 40% de ítens em que ela não aceita liberalizar o comércio. Eles acham que açúcar e arroz não são produtos tropicais, logo querem proteger seus produtores. Se eles precisam proteger, é porque não são produtivos; não são produtivos porque estes produtos não são para climas temperados!

É muito interessante a postura do G20 (grupo de países em desenvolvimento, capitaneado por China, Brasil e India), barrando as propostas pouco decentes dos países ricos. Eles notaram que precisam ganhar tempo para adaptarem-se e concorrerem em menor desigualdade com países ricos. E os países ricos precisam urgentemente de novos mercados para seus produtos e empresas. Ou correm o risco de verem suas empresas migrarem para os países em crescimento.Mas os países do G20 sabem que o capital produtivo irá procurar os países mais rentáveis se a Rodada Doha não se definir.

Há o risco de que alguns países busquem acordos bilaterais e enfraquecerem a abertura do comércio mundial. Mas é do jogo. E o jogo é pesado e os países em desenvolvimento precisam entrar para ganhar, pois as definições desta rodada irão nortear todas as legislações mundiais a respeito de comércio exterior. E definições não muito boas hoje tornar-se-ão muito danosas amanhã.

Na verdade, o que os países ricos querem da globalização é o comprometimento do “ovo com bacon”. Eles irão fazer a parte da galinha, cedendo o ovo. E aos países em crescimento, como o Brasil, é esperado a parte de comprometimento do porco…morrer para ceder o bacon.


(inspirado na música Porrada – Titãs)

Grande Prêmio da Alemanha, ano da graça de 2008, 10º etapa do campeonato mundial de fórmula 1; circuito mutilado de Hockenheim. País do chucrute, salsicha e do maior piloto de todos os tempos.

Pela enésima vez afirmo e confirmo que a FIA deveria proibir testes coletivos das equipes de fórmula 1 em autódromos utilizados em etapas do campeonato mundial de F1. Como a FIA não me escuta ou tampouco lê o que escrevo, corria-se o risco de transformar-se na mais sonolenta corrida do ano. Uma semana antes as equipes tiveram 3 dias para testarem seus carros. E o resultado da corrida estava a copiar os testes.

A sorte do público foi o infortúnio de Timo Glock. Ao menos o seu infortúnio foi na hora e local exatos para mudarem o panorama da corrida. O acidente da Toyota de Glock, na metade da prova (ou seja, no momento crucial de definição de estratégias de corridas), e na mureta dos boxes, deixando muitos pedaços de seu carro sobre a pista, ocasionou a entrada e permanência do safety-car por 7 voltas, embaralhado totalmente a disputa pela vitória. Parabéns Glock, se é para fazer m…, que faça na hora e local corretos.

O desembaralhar mostrou que existe um piloto combativo na F1 de hoje. Hamilton, caindo para 5º após seu pit-stop, em 10 voltas voltou a liderança, com ultrapassagens na pista. Mas com uma ajuda providencial de seu companheiro de equipe Heiki Kovalainen, que não fez menção alguma de dificultar ou travar disputa com o número 1 da equipe (contratos são contratos, ele é o número 2…). Heiki era o único que dispunha de carro para dificultar o caminho de Hamilton para a vitória. Mas não fez nada mais do que 1 volta à sua frente, permitindo-lhe a passagem de forma assaz cortês. Deixou assim de dar mais emoção à corrida; porrada para Kovalainen!

BMWs com desempenho inferior ao esperado. Luciano Burti comentou que o problema é aerodinâmico (?). Como eles podem ter problemas aerodinâmicos se é o carro com mais dispositivos, chifres, aletas, asas, penduricalhos e traquitanas aerodinâmicas? Toro Rosso com desempenho acima do esperado, graças ao melhor piloto alemão do momento, Sebastian Vettel. Restante na média do esperado. Menos Nelson Angelo Piquet.

Sou critico contumaz de Nelson Angelo. Acho que ele chegou a F1 muito mais por sobrenome e paitrocínio que por méritos próprios. Porém a sorte (e bota sorte nisto) sorriu para ele nesta etapa. Largando em 17º certamente não almejou mais do que chegar ao final da corrida e quiçá marcar um ponto. Mas a suspensão traseira da Toyota de Glock (que ao quebrar sozinha ocasionou o acidente), possibilitou a Nelson Piquet até mesmo liderar a corrida. Aliás, comportou-se de forma muito correta e regular ao andar em 1º e depois em 2º lugar. E chegou a um pódio merecido não só pela sorte (a sorte acompanha os bons), mas pela consistência e regularidade na metade final da prova. Tomara que ele deslanche e silencie minhas criticas.

No frigir dos ovos, o campeonato começa a pender para Lewis Hamilton. A McLaren encontrou o caminho no desenvolvimento do carro enquanto a Ferrari perdeu o caminho. E Hamilton está “sozinho” em sua equipe, enquanto a Ferrari tem o atual campeão e um postulante ao título. Pena que a BMW não está conseguindo alcançar os líderes par aumentar ainda mais a emoção do campeonato. E tomara que a FIA não permita mais testes coletivos. Por que nem sempre terá alguém disposto a dar porrada em muro para aumentar a emoção de uma corrida.


E eu que tinha pensado em reduzir o tom das críticas em relação ao Felipe Massa….

Correr na chuva é difícil. Já corri de kart (aluguel, tranqueirinhas lentas e divertidas!) na chuva e, dado as dificuldades que enfrentei, tentei imaginar um Fórmula 1 na chuva… Se a 60km/h a visualização da pista e dos adversários era um mero exercício de imaginação, a 300km/h precisa-se ter uma imaginação assaz fértil, rápida, e de sorte! Mas não sou profissional do volante então, minhas críticas pouco importantes ao Felipe Massa.

Felipe Massa, após uma corrida cerebral e perfeita na França, mudou do vinho para a água e, em Silverstone, conseguiu brindar a todos os espectadores e torcedores da F1 com uma apresentação digna de principiante. A quantidade de erros, a própria falha em ajustar o carro não levando em consideração a possibilidade de chuva e a posição final de corrida, tendo levado 2 voltas de Lewis Hamilton demonstram que ainda há um bom caminho a trilhar para que Felipe Massa torne-se um piloto campeão sem contestações. A sorte dele é que existe um certo nivelamento de erros em seus mais próximos desafiantes, e isto lhe permite, após algumas bobagens no campeonato, ainda ser o líder.

Mas este campeonato está contando com a ajuda niveladora do Ilustríssimo Senhor São Pedro, popularmente conhecido como “gerenciador do tempo e clima”. Em 9 etapas disputadas até agora, a chuva esteve presente em 3 delas, o que ajudou no comparecimento do Sr. Imprevisível de Almeida aos autódromos. E nesta corrida em Silverstone, o agraciado foi Rubens muito criticado Barrichello, que mantendo-se na pista e andando o mais rápido que o seu carro permitia, conseguiu chegar ao glorioso terceiro lugar.

E assim, na metade do campeonato, há 3 pilotos dividindo a liderança em pontos e bobagens. E mais 3 pilotos só espreitando e esperando para cometer menos bobagens que estes, nas próximas nove etapas. Um ótimo campeonato, muito disputado, tanto em pontos como em barbeiragens!


A atual escalada dos preços do barril de petróleo, além de servir de desculpa para a inflação mundial, poderá servir de teste para a globalização. E será muito interessante de assistirmos, de camarote, a busca por alternativas energéticas que possibilitem a manutenção do modelo econômico mundial.

A globalização pode ser comparada ao fim dos modelos escravocratas do século XIX e crescente industrialização da Europa. Naquela época, buscava-se novos mercados para desafogar a produção da incipiente indústria, e uma das formas encontradas para aumentar o contingente de consumidores foi com a abolição da escravatura em vários países. Com a liberdade (?) e o trabalho (mal) remunerado, mais pessoas poderiam decidir o que fazer com o seu dinheiro. Com um pouco de marketing, pode-se fazê-las consumir produtos industrializados. Com um pouco de esperteza e má fé, costurava-se apoios políticos para liberar portos apenas para produtos importados de um determinado país ou criar leis que proibissem a instalação de indústrias em outros países, favorecendo os pioneiros da revolução industrial.

E o que isto tem a ver com os dias atuais?

O Petróleo é (ou era) uma das formas de energia mais baratas e de fácil logística, permitindo a movimentação de cargas de forma fácil e rápida. Ou então fornecendo energia para indústrias, comércio e principalmente residências, que com disponibilidade de energia podiam adquirir um sem fim de ítens, úteis ou supérfluos, realimentando o sistema industrial. Não obstante a utilização energética, a partir de meados da década de 50, adquiriu maior importância como matéria-prima para os polímeros termoplásticos e termofixos.

E a globalização procurou encontrar novos mercados para novos ou velhos produtos. Quase no mesmo estilo do século XIX, as empresas mais arrojadas partiram em busca de acordos comerciais, mudanças políticas e econômicas, para que mais pessoas pudessem consumir, aumentando -óbvio- seus lucros. Para isto, energia nas residências, um pouco de dinheiro e muito de crédito para camadas mais pobres. E fabricação nos países mais baratos, não importando a distância do mercado consumidor. E paralelo a este movimento mundial (que não tem 20 anos), ocorreram as consolidações, reorganizações e fusões de grandes empresas. Com isto, poucos grupos mundiais passaram a deter fatias muito grandes de poder sobre matéria-prima, energia, logística, possibilitando pouca margem para negociação.

Resultado de tudo isto: 20 anos após os primeiros movimentos mais claros da globalização, conseguiu-se inserir quase uma Europa inteira no mercado de consumo. Porém com menos empresas fornecendo produtos e apenas um planeta fornecendo insumos! E o estouro seria inevitável.

O petróleo continuará subindo, até porque ainda existe um longo caminho até encontrar-se soluções práticas e econômicas para substituí-lo. Porém não sei se a globalização resistirá a preços acima de US$ 300,00 o barril de petróleo. Aí talvez valha a pena voltar aos parques industriais menores, para atender o consumo de determinada região apenas. Isto porém revitalizaria os sindicatos, o que não é bom para o capitalismo…

A história ficará muito legal a partir de agora!


Será?

27Jun08

O mundinho de primeira grandeza inútil da Fórmula 1 ainda consegue me surpreender. Quando pairava sobre meus pensamentos a idéia de não mais acompanhar tão ferrenhamente este esporte, eis que este estranho mundo (que muitos chamam de circo, porém “não sei quem sou o palhaço”?) torna a apresentar as cenas que gosto de ver: ultrapassagens, disputas, nivelamento entre competidores. Resumindo: emoção.

Nos últimos anos, mais precisamente na “Era Schummacher”, o GP da França poderia ser definido como Grande Procissão da França. O circuito de Magny Cours foi desenhado para trazer mais emoção para o público, com um traçado que prioriza a visibilidade para a torcida e que posibilitaria boas disputas. Mas a evolução das tecnologias e dos conceitos aerodinâmicos dos carros de F1 destruiram as boas intenções dos arquitetos e as corridas tornaram-se passeios de “sigam o líder”.

Felizmente, um pouco de chuva e as novas regras da F1 conseguiram resgatar a prova realizada neste circuito em 2008. E resgataram a emoção do campeonato também.

Realizada a 8º etapa do campeonato, temos o 4º piloto a liderar a pontuação. Depois de Raikkonen, Hamilton e Kubica, Felipe Massa passou a liderar o campeonato. A vitória de Massa nesta corrida era o que eu esperava para reduzir o tom das críticas. Largando em segundo, e não conseguindo um ajuste para corrida tão bom quanto Raikkonen, restavam duas possibilidades: ou ele faria uma corrida para o campeonato, garantindo os pontos; ou ele tentaria desesperadamente uma vitória.

Em outras corridas (Malásia 2007 e 2008, entre outras tantas) o desespero pelas posições levou Massa a cometer erros. Alguns perdoáveis, outros grotescos. Fosse na década de 70 ou 80, não haveria tanta cobrança, pois os campeonatos eram muito mais equilibrados -devido as quebras- possibilitando o erro e também exigindo mais agressividade dos pilotos. Mas no século XXI, com apenas 3 ou 4 pilotos disputando vitórias e o título, não admitem-se mais erros. E mesmo gostando do estilo de pilotagem de Massa, não conseguia vê-lo como campeão.

Na etapa francesa, Felipe Massa surpreendeu e ficou com a primeira possibilidade: decidiu fazer uma corrida para o campeonato. Após o primeiro pit-stop, não conseguindo aproximar-se ou ultrapassar Raikkonen, não partiu para o desespero e resignou-se com seus 8 pontos. E foi brindado com a vitória quando quebrou o escapamento (e mais um monte de peças e traquitanas aerodinâmicas) do carro de Raikkonen.

Esta é a postura que se espera de um piloto que pretende ser campeão mundial. E já que ele mostrou que tem um pouco de estrela, ao quebrar alguns tabus nestes seus 2 anos e pouco de Ferrari, quem sabe ele consegue quebrar o “jejum” de brasileiros campeões mundiais.

Será que ele vai conseguir?


Já faz algum tempo que não comento as provas de fórmula 1. Não é por falta do quê comentar, é a simples falta de tempo (e de inspiração).

Mas eis que acertei meus prognósticos a respeito das 3 últimas etapas (Turquia, Mônaco e Canadá); corridas muito mais disputadas, com ultrapassagens, brigas por posições durante toda a corrida e não apenas nas 3 primeiras voltas. E inclusive o Imprevisível de Almeida voltou a dar o ar de sua graça. Volto a insistir: só teremos corridas interessantes em autódromos não utilizados para testes de equipes. E foi exatamente o que aconteceu; portanto, FIA, Max Mosley, Bernie Ecclestone e equipes de F1 em geral façam o favor de lerem este blog e acabarem com os testes coletivos das equipes.

Na Turquia, Felipe Massa foi perfeito, vencendo a corrida com justiça, mérito e consistência. Será muito difícil alguém, em condições normais, vencê-lo naquela pista. Massa achou o “atalho” do circuito, tal como Schummy na Bélgica, Prost no Brasil, Senna em Mônaco ou Berger em Hockenheim. Tomara que ele não se transforme em piloto de um ou dois circuitos. Ainda tenho resistência a achar que Felipe Massa poderá ser campeão, mas que ele está evoluindo isto é notório.

Em Mônaco, a injustiça. Adrian Sutil correndo com um Force India (Spyker de 2007 com pintura diferente) chegaria numa inacreditável 4º colocação. No entanto, uma bisonha manobra de Raikkonen acabou com o sonho de Sutil e da sua equipe. Sim, um sonho. O “feito” de Sutil é perfeitamente comparável ao 2º lugar de Senna em 84 (no mesmo traçado) com um Toleman. Em corridas cheia de adversidades, com chuva, acidentes, e todas dificuldades inerentes à equipes pequenas, um piloto destaca-se por sua constância e frieza para driblar a adversidade e levar seu carro para uma boa colocação ao fim da prova. A desolação da equipe quando do abandono de Sutil mostra a importância daquele possível resultado para a sobrevivência da equipe. Injustiça com os pobres da Fórmula 1.

Na etapa seguinte -Canadá- vimos que o mundo dá voltas, e aquele que fere um dia será ferido (provérbios de Crânio). Em nova corrida com adversidades, Raikkonen tinha tudo para ganhar e disparar na liderança do campeonato. Após um safety-car causado por Adrian Sutil, Raikkonen, ao sair dos boxes, é atingido de forma mais bisonha ainda por Hamilton. Acidente que ajudou na 1º vitória de Robert Kubica, mas que não lhe retira o mérito, apenas fez-se justiça a piloto e equipe que apresentaram incrível evolução nos últimos dois anos e mereciam uma vitória. E Raikkonen recebeu o troco por sua manobra sobre Sutil em Mônaco. Pena que Adrian Sutil não marcou pontos. Aí a justiça seria completa.


Os meios de comunicação transformaram-se em caminhões de lixo. A cada momento nos brindam com seu carregamento de podridão social, apresentando a pequenez do ser humano em diversas formas, desde pais que matam filhos, ou que estupram filhos, passando por políticos envolvidos em desvios de verbas públicas, ou empresas privadas envolvidas com estes políticos. Temos ainda a preocupação com governantes que, com suas declarações, parecem querer uma guerra de grandes proporções a todo momento.

E ainda a programação normal das mídias, envolta em sexualismo e banalização do corpo, recheada de reality-shows que “encantam” seus telespectadores ao mostrarem um misto de inteligência e arrogância de seus personagens centrais vociferando contra seus súditos televisivos. Pobreza completa e irrestrita de itens que levem ao crescimento da sociedade.

Algumas pessoas acreditam que o melhor seria a volta da ditadura e a reinstauração da censura para acabar com estes políticos corruptos (?), para melhorar a programação das mídias, para direcionar o povo para o bem (??). Acredita-se que a melhor forma de expurgar o podre da sociedade é não permitir sua aparição. Mas esta podridão continuará existindo.

Divirjo deste ponto de vista. Nosso tempo atual é tempo de transformação e limpeza. Quando vamos fazer um faxinão em nossas casas precisamos colocar muitas coisas para fora das gavetas, deslocar as tralhas de lugar, remexer em muitas coisas. E nestes momentos descobrimos quantas coisas ruins temos guardadas, nos atrapalhando ou ocupando espaço desnecessariamente. E muitas vezes descobrimos muitas coisas (não achei vocábulo melhor para identificar algo genérico) boas escondidas, esquecidas, que podem e serão úteis em nosso dia-a-dia.

A incrível evolução tecnológica e de conhecimento dos homens não refletiu em evolução de postura social, e apesar de não suportar tal quantidade de notícias ruins, que denigrem a condição de ser humano, espero que estejamos passando por um faxinão na sociedade. E claro que não será simples e rápido este trabalho, pois somos 6 bilhões e tanto para termos nossos podres revelados e dissecados, para que nos demos conta de quanto ainda precisamos evoluir para que a designação sapiens tenha um cunho verdadeiro.

Depois da Idade Média, da Idade Moderna e da História Contemporânea, talvez possamos, num futuro próximo, definir o iníco do século 21 como Idade da Transformação. Ou então, como o Início do Fim.


Existe entre o Felipe, BigDog e eu uma disputa salutar para questionar e defender o atual governo. Claro que cabe ao infeliz aqui a tarefa de defesa deste governo. Pois eis que achei a notícia mais legal dos últimos anos. Talvez poucos entendam sua importância.

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL584562-9356,00.html

O crescimento do setor de bens de capital é a base do crescimento sustentado. Eles estão crescendo 30% sobre os 17% do ano passado. É um ótimo resultado. É investimento em produção, modernização tecnológica, lançamento de novos produtos. Coisas que só acontecem quando os empresários acreditam que a situação, a médio e longo prazo são favoráveis. Caso contrário, se é algo passageiro, aumentam o número de horas extras para atender o aumento de demanda e depois voltam ao normal.

Além disso, o setor de bens de capital é de uso razoável de tecnologia. Para exemplificar, a máquina que faz um ordinário potinho de plástico tem muita tecnologia embarcada, é muito cara e poucos países conseguem fabricá-las com razoável qualidade. O Brasil é um destes, apesar de ainda estarmos um ou dois degraus tecnológicos atrás dos países desenvolvidos, mas a frente de muita gente.

Como é um setor tecnológico, os salários pagos são melhores que a média, e a necessidade de trabalhadores qualificados ajuda a criar mercado de trabalho para os formados em cursos técnicos industriais (tal qual eu) e engenharias.

Gostei desta notícia, pena que não vai para o Jornal Nacional. Que prefere falar sobre casal Nardoni, Seleção brasileira, Travestis e Ronaldo….


É sempre útil e aconselhável pensar antes de falar.

Muitas pessoas (incluso este que escreve estas mal traçadas linhas) têm a propensão a fazer críticas, muitas vezes severas, à respeito de tudo e todos. Não importando classe econômica, raça, sexo ou religião, a crítica é algo deveras democrático (aliás, é parte da democracia), mas pode-se notar que em muitos casos converge para algo prazeroso por quem faz críticas, é quase um orgasmo a cada crítica mais ácida proferida. Eu diria que é um dos esportes nacionais.

O mundo é pequeno e gira muito (a frase correta é mais completa e bagaceira).

Nas críticas esquecemos que nos giros deste planeta, podemos encontrar o mesmo ponto do criticado… e fazer igual!!! Ou então seremos cúmplices de situações semelhantes ao criticado outrora. E agora, o que explicar “lá em casa”???

Este preâmbulo é direcionado ao Sr. Nelson Sottomayor Piquet. Um dos maiores pilotos da fórmula 1 de todos os tempos. Tri-campeão mundial, 24 pole-positions, 23 vitórias, reconhecido por ser exímio acertador de carros, ótimo estrategista em corridas, sabendo dosar velocidade e constância. E também reconhecido por declarações bombásticas e um certo distânciamento da imprensa, só aceitando falar com jornalistas especializados. Tudo bem, escutar perguntas idiotas é dose.

Tudo que você disser poderá ser utilizado contra sua pessoa.

Certa feita ele falou que Airton Senna era um filhinho de papai, movido a “paitrocínio”, que só teve sucesso porque a sua carreira foi gerenciada desde o início. Até não faltou com a verdade, mas era um pouco dor de cotovelo, pois ele, Nelson Piquet, apesar de oriundo de família com boa situação financeira, precisou mostrar serviço para chegar ao topo. Meteu a mão na massa, trabalhou como mecânico em boxes de corrida, foi para a Europa com dinheiro contado e outras histórias bem legais que valorizam suas conquistas. Mas acho que ele gostaria de ter uma história com menos dificuldades, tal qual o Senna.

Aí, eis que começa a aparecer para o automobilismo Nelson Ângelo Piquet. Filho do tri-campeão, colocado em equipes montadas pelo pai, desde as categorias de base até a GP2 (categoria de “acesso” a F1, com carros muito semelhantes e custo estimado em US$ 10 milhões por ano). Isto sim que é “paitrocínio”. Claro que o Nelsão não colocou todo dinheiro; sua visibilidade trouxe muita grana para as equipes montadas por ele para o seu pimpolho. E até que o guri correspondeu, ganhando diversos campeonatos e chegando ao vice-campeonato da GP2, onde perdeu para um tal de Lewis Hamilton….

Chegou a hora tão sonhada pelo papai de ver seu filhinho num carro de fórmula 1. Primeiro o guri desdenha a oferta da então Spyker (hoje Force India). Seria perigoso, estrear em uma equipe pequena, sem recursos; poderia manchar sua carreira (diferente de seu pai…). Pouco depois, por intermédio de seu pai, consegue uma vaga de piloto de testes da Renault. Perfeito!!! Nada melhor do que um ano de estágio numa grande empresa antes do início efetivo dos trabalhos; tempo suficiente para adaptar-se a cultura da empresa, das pessoas, do tipo de trabalho, dos desafios.

Chegou a hora do início efetivo dos trabalhos. E os resultados não apareceram como esperados. Para piorar, na comparação básica, o companheiro de equipe é muito mais rápido. E a fritura é inevitável. Com uma responsabilidade enorme, o jovem piloto com sobrenome famoso não consegue entregar para a equipe resultados satisfatórios. E a mídia cobra, a pressão aumenta e seu chefe Briatore normalmente não perdoa.

Não adiantou gerenciamento, paitrocínio, apoio, melhores equipes, ajuda da mídia. Faltou aquilo que sobra nos poucos agraciados a pilotar e vencer num fórmula 1: braço!!!

E o papai Nelson terá que morder a língua. E cuidar nas próximas declarações.


O fato mais negativo da corrida turca não apareceu nas câmeras de TV. Aliás, eles raramente apareciam na TV. Mas eles estavam lá nas últimas 39 corridas anteriores ao GP turco. Tinham um verdadeiro lugar de honra nas últimas filas do grid. Vez em quando davam o ar da graça ao estourarem um motor, andarem pela grama ou verem acenadas bandeiras azuis. Acho que ninguém viu mais bandeiras azuis que eles.

Criada como equipe satélite da Honda ao final de 2006, a Super Aguri não teve super-poderes (trocadilho ruim!!!) e sucumbiu. A falta de dinheiro interrompeu a vida desta jovem equipe, que tinha a aparência das equipes “garagem” da década de 80 – dada as devidas proporções. Orçamento 10 vezes inferior ao das grandes equipes compensado por um espírito esportivo 100 vezes superior. Em 2007 conseguiu a proeza de andar na frente da própria Honda, e talvez isto tenha magoado muito os diretores esportivos desta (ou envergonhado). Então a Honda decidiu cortar a ajuda financeira…mas estranhamente não deixou ninguém ajudar, pois haviam grupos interesados em absorver a equipe, administrá-la e mantê-la em atividade. Mas a Honda, como matriz, preferiu ver sua filial ir a falência. No mínimo, estranho.

E o grid da fórmula 1, que no início deste ano deveria ter 24 carros (Prodrive, que a FIA liberou e depois vetou. Vai entender!!??) ficará com 20. É pouco. Para a “principal” categoria do automobilismo é muito pouco. Com poucos carros no grid, há poucos cockpits disponíveis para pilotos novatos tentarem a sorte e mostrarem as suas habilidades. Com poucos carros no grid qualquer acidente já esvazia a corrida.

A fórmula 1, a partir de meados dos anos 90, fez a opção pelo dinheiro. Aos poucos foi trazendo grupos automobilísticos para dentro dos boxes. E foi banindo os garagistas. BMW, Renault e Honda eram fornecedores de motores durante a década de 80, época que mostrou uma categoria extremamente competitiva e razoavelmente imprevisível, o que dava ainda mais emoção às corridas.

Talvez os acidentes ocorridos naquele trágico GP de San Marino de 1994 tenham definido esta opção da Fórmula 1 pelo dinheiro. Grandes grupos automobilísticos não gostariam de estarem relacionados a tragédias em competições e certamente investiriam no desenvolvimento de carros mais seguros. E teriam dinheiro para isto, ao contrário das equipes independentes.

Pesquisas de mercado também mostraram que apenas forncer motor não gerava retorno de mídia. Ter o nome da equipe seria muito mais vantajoso. Mas apenas para quem conseguir andar na frente! Ou será que a Ford, Chevrolet, Hyundai ou outra grande montadora terá orgulho em exibir seus carros na 25º e 26º posição? Giancarlo Minardi, Enzo Osella, Guy Ligier, e mais recentemente, Alain Prost e Jacie Stewart não tinham este problema. Mas os seus patrocinadores começaram a ter, e não quiseram mais investir. E eles também sucumbiram.

Talvez seja apenas um reflexo da sociedade, que atualmente só valoriza a vitória, não aceitando mais o prazer do desafio e da paixão. Pragmatismo puro e capitalista. Tudo bem, a fórmula 1 sempre foi capitalista; mas está ficando muito chata!

Será que o capitalismo é tão chato assim?